segunda-feira, dezembro 11, 2006

Transbordante de chuva


aqui vai, ai
cinza escuro, duro
da água trémula,
tremida,
ferida
ondulante
inquietante
transbordante de chuva.

quarta-feira, outubro 25, 2006

AUSÊNCIA


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, setembro 16, 2006

sábado, setembro 02, 2006

Espero


ESPERO

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe,
de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner

(Farol do Penedo da Saudade, S. Pedro de Muel, Agosto, 2006)

Em tempo de Holidays magnólias to Billie


ALL OF ME
Seymour Simons / Gerald Marks

You took my kisses and all my love
You taught me how to care
Am I to be just remnant of a one side love affair

All you took
I gladly gave
There is nothing left for me to save

All of me
Why not take all of me
Can't you seeI'm no good without you
Take my lipsI want to lose them
Take my arms
I'll never use them
Your goodbye left me with eyes that cry
How can
I go on dear without you
You took the part that once was my heart
So why not take all of me


(as fotografias a preto e branco de William P. Gottlieb as magnólias são do CCB)

quarta-feira, agosto 09, 2006

"PARA TI, SABES QUEM".


"EM TI HÁ QUALQUER COISA QUE ME ANIMA
EM TI HÁ QUALQUER COISA QUE ME TRANSCENDE
QUE ME QUEIMA AS PALAVRAS,
QUE NÃO RIMA
EM TI HÁ QUALQUER COISA QUE ME PRENDE.

É QUALQUER COISA IMENSA QUE VEM DE CIMA
E DESCE SOB MIM,
QUASE ME OFENDE,
MEUS SENTIDOS DOMINA E DESANIMA
MAS A MINHA VONTADE NÃO SE RENDE.

A VONTADE É DE FERRO NO MEU PEITO,
MAIS FEROZ QUE A ANSIA DA SAUDADE
MAIS PURA DO QUE O OLHAR COM QUE É FEITO,
MAIS PURA DO QUE A FORÇA DA VERDADE.

E SE A MINHA VONTADE ME SEDUZ,
MAIOR DO QUE O ORGULHO E QUE A VERDADE
SÓ ELA É QUE TE ACALME E TE REDUZ,
SÓ ELA ME TRANSPORTA REALIDADE."


O'queStrada

http://www.designexquis.com/strada/frame.htm

quarta-feira, agosto 02, 2006

Como nas monções


Como nas monções, gosto que a chuva dos meus cabelos inunde o teu corpo.

segunda-feira, junho 26, 2006

sexta-feira, junho 16, 2006

SaxBlueJazz


SaxBlueJazz


O rumo dos nossos passos levava-nos de uma forma consciente até à Catedral.

Um emaranhado de ruas, de becos, de esquinas.
A romper o cinzento do dia, notas de música coloridas caminhavam na nossa direcção, ou seria o contrário.

À porta de uma casa um músico deliciava os que se deixavam deliciar.
A brilhar feito estrela o saxofone, gemia músicas cheias de nós. Sons, velados, íntimos, sensuais, de fraseados ágeis e de harpejos velozes.
“Um som redondo”, como quando me dizes “meu amor”. “Um som intenso”, quando te chamo “querido”. “Um som metálico” igual ao frio de quando nos separamos. Ou ainda “um som ressoante” dos nossos beijos feitos melodias, ou do roçar do meu vestido no teu fato, quando dançamos.

Cheia de ti a minha história a palmilhar dias, a calcorrear meses, a vaguear por entre anos passados, perdida de mim, ou a voar tempos futuros.

De momento voo baixinho ao som de Charlie Parker, com uma magnólia no cabelo à Billie Holiday.
Nesta fotografia vai o meu amor em forma de jazz, para ti “Bird” e por onde andarmos as Catedrais poderão ser caminho ou casa.

Barcelona, 2004

terça-feira, abril 18, 2006

"Quando se ateia em nós um fogo preso"


"Fogo Preso" de Vasco Graça Moura (Drama Box, Mísia)
O poema é dito pela Fanny Ardant, pela Ute Lemper, pela Carmem Maura e pela Miranda Richardson


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"Quem me roubou o tempo"


"Quem me roubou o tempo que era um
quem me roubou o tempo que era meu
o tempo todo inteiro que sorria
onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro
e onde por si mesmo o poema se escrevia"



Setembro 2001Sophia de Mello Breyner Andresen, in Relâmpago nº9, 10/2001

(fotografia de Ewa Brzozowska)

"Teus beijos a molhar cada rasgão"




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sábado, abril 15, 2006





"E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puroda tua entrega. Bichos inclinam-separa dentro do sono, levantam-se rosas respirandocontra o ar. Tua voz cantao horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias como lento desejo do teu corpo.Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo eu morrerei contigo. "


Herberto Helder

(Todas as fotografias que insiro sem nome são da minha autoria, quando são de outros autores refiro sempre o nome, contudo estas tinha guardado há uns tempos e não as consigo identificar.)

sexta-feira, abril 14, 2006


(Fotografias de António Covarsí)


quarta-feira, abril 12, 2006

"O tempo faz e desfaz a vida"



"Nada tão intenso como o tempo
no interior do corpo.
Porque ele passa
como um rumor nas pedras que nos cobrem
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até na íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
(...)
A pele escorre pelo corpo, com o seu corpo de água
e as lágrimas da angústia
são estridentes quando buscam eco,
mas não sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.

O tempo é silencioso e enigmático,
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida."

Fiama Hasse Pais Brandão



sábado, abril 08, 2006

Flor Garduno



(fotografias da fotógrafa mexicana Flor Garduno)

terça-feira, abril 04, 2006

Lugar bem situado, Canções e Fugas, Mário Laginha





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I feel blue



I feel blue
deeply blue...

Sinto-me azul!
O acordeão do Galliano traz-me notas em formas de penas de Paris de Buenos Aires.....
O "Inverno Porteño" tenta-me aquecer nesta Primavera.
Um par de tango, um tango a par dos meus dias.

"La mort des amants".



"Nous aurons des lits pleins d'odeurs légères,
Des divans profonds comme des tombeaux,
Et d'étranges fleurs sur des étagères,
Ecloses pour nous sous des cieux plus beaux.
Usant à l'envi leurs chaleurs dernières,
Nos deux coeurs seront deux vastes flambeaux,
Qui réfléchiront leurs doubles lumières
Dans nos deux esprits, ces miroirs jumeaux.
Un soir fait de rose et de bleu mystique,
Nous échangerons un éclair unique,
Comme un long sanglot, tout chargé d'adieux ;
Et plus tard un Ange, entr'ouvrant les portes,
Viendra ranimer, fidèle et joyeux,
Les miroirs ternis et les flammes mortes."
Charles BAUDELAIRE (1821-1867),"La mort des amants".

Jarro em jarra

katarzyna widmansk




Várias leituras de folhas






(fotografias de João Parassu)

segunda-feira, abril 03, 2006

Fotografias de Christian Coigny


"Las cosas que se van no vuelven nunca"

(Fotografia de José Carlos Faria)
Las cosas que se van no vuelven nunca,
todo el mundo lo sabe,
y entre el claro gentío de los vientoses inútil quejarse.
¿Verdad, chopo, maestro de la brisa?
¡Es inútil quejarse!
Sin ningún viento¡hazme caso!gira, corazón;gira, corazón.

Garcia Lorca

terça-feira, março 21, 2006

...à Billie Holiday


Guardei esta luz aquática,
de chuva, de mar.
Talvez reflexos do rio no meu olhar.
Guardei o perfume exótico das magnólias
E uma para por no meu cabelo.
Ao som de Billie Holiday
Dancei colada a ti,
Guardei-te a voar dentro de mim
Amor que é swing de jazz,
balanceado de blue.

segunda-feira, março 13, 2006


Fotografia de Reotaksja

Em ti procuro um Oriente que me desOriente.

domingo, março 12, 2006

Como uma gueixa



Acenderei a laterna vermelha para celebrar a tua chegada.
Desenharei com o alfinete do meu cabelo letras do alfabeto chinês que só eu entenderei.