XXII
"A última aldeia ficava a mais de seis horas de subidas íngremes e resvaladiças. Decidi parar ainda antes do anoitecer. Acendi o lume que agora se vai extinguir e abriguei-me debaixo destas raízes suspensas, um pouco monstruosas, pois lembram um céu vivo, em contínua expansão. Eu e o meu firmamento na floresta virgem, desaconselhada – último capricho de um viajante que não encontra motivos para o seu regresso? Enrolei-me na manta. Dormira cerca de duas horas, atravessado pelos sonhos que a cada momento me fazem diferente. E anoitecia. A noite voltava à tomada de tudo, mas ia concedendo uma parcela de azul forte a Oeste, sombreada por nuvens, aqui e ali violácea, abrindo uma passagem no emaranhado de raízes e imagens de raízes."
José Ricardo Nunes
in Uma Viagem à Costa Rica, ed. do autor
fotografias de Margarida Araújo
Divagando por aí.... Pescar palavras, ideias, imagens com sentido, sem sentido, mas sempre, sempre com os sentidos à flor da pele. Às fotografias e textos que vou fazendo, igualmente junto coisas que gosto. De amigos, ou de pessoas que admiro. Por aqui viverá a textura da minha pele. Por aqui escorrerá a minha vida.
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terça-feira, julho 06, 2010
terça-feira, junho 15, 2010
domingo, maio 16, 2010
À janela
Gatos à janela é coisa comum, mas nas Caldas para além dos verdadeiros de carne, de osso e pêlo ainda existem os de cerâmica.
Num dos Museus, ou em casas particulares, ainda nalgumas lojas, encontramo-los contemplativos, descansados e às vezes até assanhados.
À janela os felinos aquecem-se ao sol. Outros, já quentes do forno, de barro cozido, ficam imóveis, fitando o tempo que passa, eles próprios parados no tempo.
Gata "Pili"
finais do séc. XIX
Rafael Bordalo Pinheiro
ass. com o monograma do autor: RBPFábrica de Faianças das Caldas da Rainha
colecção particular
Gato
séc. XX
José BeloCaldas da Rainha
colecção particular
em colaboração com http://externatoramalhoortigao.blogspot.com/
terça-feira, abril 13, 2010
sábado, janeiro 16, 2010
domingo, janeiro 03, 2010
sexta-feira, janeiro 01, 2010
segunda-feira, dezembro 28, 2009
"La mer et le vent"
Victor Hugo
Les Travailleurs de la mer, chapitre "La mer et le vent", manuscrit original lu par André Wilms à la salle Labrouste, Site Richelieu, Bnf
© margarida araújo
Les Travailleurs de la mer, chapitre "La mer et le vent", manuscrit original lu par André Wilms à la salle Labrouste, Site Richelieu, Bnf
© margarida araújo
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Victor Hugo
segunda-feira, dezembro 21, 2009
A magnólia
A magnólia
A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária,e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.
© margarida araújo
Luiza Neto Jorge
O seu a seu tempo
organização e prefácio de
Fernando Cabral Martins
Assírio & Alvim
2ª edição
2ª edição
2001
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Poesia
sexta-feira, novembro 27, 2009
quinta-feira, novembro 26, 2009
sábado, junho 06, 2009
sexta-feira, junho 05, 2009
quarta-feira, junho 03, 2009
Tocar
(c)margarida araújo"A Lua está lá no céu
Quem é que a vai tocar?
São duas mãos pequeninas
Que não se podem queimar
E as estrelas lá no céu
Quem é que as vai tocar?
São duas mãos com anéis
De brilhantes a brilhar
E os pássaros lá no céu
Quem é que os vai tocar?
Pássaros em liberdade
Ninguém os deve buscar."
Matilde Rosa Araújo
in As Fadas Verdes, Editora Civilização, Porto, 1994
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Poesia
quarta-feira, maio 06, 2009
quinta-feira, abril 09, 2009
"Regresso"
(c)Fernando Lemos, 1951REGRESSO
"Não vim à procura de nada
Nem de saudades que não tenho
Nem de carga do tempo perdido
Nem de conflitos sobrenaturais
Do tempo e do espaço
Amei desde criança
Certas coisas que não choro
Fui a pureza deslumbrada que não volta jamais
O vidro sem ranhura que o sol atravessa
A pureza
Que me deixou feridas imortais
Vim para ver
Para ver de novo
Para contemplar sem perguntas
Não vim à procura de nada
Não me perguntem por nada
Um rio não se interroga
O vento não se arrepende.»
Alberto Lacerda
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Fotografia
segunda-feira, abril 06, 2009
domingo, abril 05, 2009
terça-feira, março 31, 2009
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