Divagando por aí.... Pescar palavras, ideias, imagens com sentido, sem sentido, mas sempre, sempre com os sentidos à flor da pele. Às fotografias e textos que vou fazendo, igualmente junto coisas que gosto. De amigos, ou de pessoas que admiro. Por aqui viverá a textura da minha pele. Por aqui escorrerá a minha vida.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
segunda-feira, dezembro 28, 2009
"La mer et le vent"
Victor Hugo
Les Travailleurs de la mer, chapitre "La mer et le vent", manuscrit original lu par André Wilms à la salle Labrouste, Site Richelieu, Bnf
© margarida araújo
Les Travailleurs de la mer, chapitre "La mer et le vent", manuscrit original lu par André Wilms à la salle Labrouste, Site Richelieu, Bnf
© margarida araújo
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Victor Hugo
domingo, dezembro 27, 2009
na estrada de san romano
André Breton
"Máscara Africana"
1947-48
A poesia como o amor faz-se na cama
Os seus lençóis desfeitos são a aurora das coisas
A poesia faz-se nas matas
Tem todo o espaço de que precisa
Não este mas o outro condicionado por
O olho do milhafre
O orvalho sobre a cavalinha
A lembrança de Traminer embaciada em bandeja de prata
Uma alta vara de turmalina sobre o mar
E a estrada da aventura mental
Que sobe a prumo
Pára e fica logo coberta de mato
Isto não se apregoa aos quatro ventos
Não é conveniente deixar a porta aberta
Ou chamar testemunhas
Os cardumes de peixes os bandos de melharucos
Os carris à entrada duma grande estação
As luzes das duas margens
Os sulcos do pão
A espuma da ribeira
Os dias do calendário
O hipericão
Acto de amor e acto de poesia
São incompatíveis
Com a leitura do jornal em voz alta
O sentido do raio de sol
O clarão azul que liga as machadadas do lenhador
O fio do papagaio de papel em forma de coração ou de laço
O batimento ritmado da cauda dos castores
A diligência do relâmpago
O arremesso de confeitos do alto de velhas escadas
A avalanche
A câmara dos sortilégios
Não cavalheiros não é a oitava Câmara
Nem os vapores da camarata ao domingo à noite
Os passos de dança transparentes por cima dos mares
A demarcação na parede dum corpo de mulher ao lançar de punhais
As claras volutas do fumo
Os anéis do teu cabelo
A curva da esponja das Filipinas
Os nós da serpente vermelha
A entrada da hera nas ruínas
Tem todo o tempo à sua frente
O abraço poético como o abraço carnal
Enquanto dura
Impede toda a fugida sobre a miséria do mundo
andré breton
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segunda-feira, dezembro 21, 2009
"Natal e não Dezembro"
Presépio
Ferreira da Silva
Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira
Cancioneiro de Natal
Quando um ramo de doze badaladas
menino eras de lenha e crepitavas
Depois nas folhas secas te envolvias
Ferreira da Silva
Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira
Cancioneiro de Natal
Natividade
Armando Correia
Falavam-me de Amor
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
Natália Correia
O Dilúvio e a Pomba
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979
Presépio
Armando Correia, 2006
Desejo-vos um 2010 feliz!
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Poesia
A magnólia
A magnólia
A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária,e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.
© margarida araújo
Luiza Neto Jorge
O seu a seu tempo
organização e prefácio de
Fernando Cabral Martins
Assírio & Alvim
2ª edição
2ª edição
2001
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Poesia
quinta-feira, dezembro 17, 2009
"Uma Noite na Biblioteca" do Museu Malhôa
"(...)Aquilo que uma biblioteca deseja, não o pode alcançar. Seja ela imensa ou restrita, real ou provincial, antiga ou moderna, jamais atingirá a imensidão que a alimenta, jamais aquilo que contém terá a evidência dum simples cabelo, duma pedra, dum alguidar, jamais será como aquele mapa famoso e lendário que se confunde com o território em cada um dos seus pontos porque é o território. (...)"
Uma noite na biblioteca de Jean-Christophe Bally, tradução de Christine Zurbach
17, 18 e 19 de Dezembro, 21h30m
MUSEU MALHÔA
Caldas da Rainha
quarta-feira, dezembro 09, 2009
terça-feira, dezembro 08, 2009
domingo, novembro 29, 2009
descubra as diferenças


© margarida araújo
Fot. 1 - atentados ao urbanismo (finais dos anos 70 ?)Fot. 2 - sonhos da quadra natalícia e não só que as técnicas photoshópicas permitem
sexta-feira, novembro 27, 2009
quinta-feira, novembro 26, 2009
segunda-feira, novembro 09, 2009
Ferreira da Silva

Ferreira da Silva
sem título, 1968
Placas de cerâmica representando um javali
Secla
Pousada D. Afonso II
Alcácer do Sal
Alcácer do Sal
Nos anos 60, Ferreira da Silva decora também com painéis a Pousada da Caniçada no Gerês.
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Ferreira da Silva
quinta-feira, agosto 27, 2009
domingo, julho 05, 2009
Ergo uma rosa

Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me doi de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me doi de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.
José Saramago
LANZAROTE - Una Rosa
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Margarida Araújo
sexta-feira, junho 12, 2009
"Poème du temps qui ne passe"
sábado, junho 06, 2009
sexta-feira, junho 05, 2009
quarta-feira, junho 03, 2009
Tocar
(c)margarida araújo"A Lua está lá no céu
Quem é que a vai tocar?
São duas mãos pequeninas
Que não se podem queimar
E as estrelas lá no céu
Quem é que as vai tocar?
São duas mãos com anéis
De brilhantes a brilhar
E os pássaros lá no céu
Quem é que os vai tocar?
Pássaros em liberdade
Ninguém os deve buscar."
Matilde Rosa Araújo
in As Fadas Verdes, Editora Civilização, Porto, 1994
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sábado, maio 23, 2009
CLN Caldas Late Night 2009
CLN Caldas Late Night 2009
numa versão CALDAS LATE SOON
Rua Heróis da Grande Guerra, Caldas da Rainha
Rafael Bordalo Pinheiro.O passado e o presente de mãos dadas
numa versão CALDAS LATE SOON
Rua Heróis da Grande Guerra, Caldas da Rainha
Rafael Bordalo Pinheiro.O passado e o presente de mãos dadas
com um agradecimento especial à Isabel Castanheira, que me alertou, ou não fosse o tema Bordalo, ou não fosse mesmo ali à porta da Loja 107 sem dúvida a livraria da minha vida.
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Rafael Bordalo Pinheiro
quarta-feira, maio 06, 2009
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