
Divagando por aí.... Pescar palavras, ideias, imagens com sentido, sem sentido, mas sempre, sempre com os sentidos à flor da pele. Às fotografias e textos que vou fazendo, igualmente junto coisas que gosto. De amigos, ou de pessoas que admiro. Por aqui viverá a textura da minha pele. Por aqui escorrerá a minha vida.
terça-feira, outubro 28, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
"Retrato quase apagado em que se pode ver perfeitamente nada"
"Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases.
Por exemplo:- Imagens são palavras que nos faltaram.-
Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.-
Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira.
Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo:
há pessoas que se compõem de actos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras."
Manoel de Barros
"O Guardador de Águas"
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases.
Por exemplo:- Imagens são palavras que nos faltaram.-
Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.-
Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira.
Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo:
há pessoas que se compõem de actos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras."
Manoel de Barros
"O Guardador de Águas"
quarta-feira, outubro 22, 2008
Candido Portinari (1903-1962)
Clarinetista,1961Pintura a têmpera/tela 195 x 129 cm
Colecção particular, Belo Horizonte
Músico c.1959 Pintura a óleo/cartão 24.5 x 13.8 cm
Colecção particular, Rio de Janeiro
Aquarela do Brasil, Ari Barroso
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quarta-feira, outubro 15, 2008
Música Pintada, Henri Matisse (1869-1954)
A Música1939
óleo s/ canvas (115.2 x 115.2 cm)
Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY
O AlaúdeFevereiro 1943
Óleo s/ canvas (59.4 x 79.5 cm)
Colecção privada

A Lição de Música
1917
Óleos s/ canvas(244.7 x 200.7 cm)
Barnes Foundation, Merion, PA
STING & EDIN KARAMAZOV - ST LUKES CONCERETTE PART 2
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Música Pintada, Henri Matisse (1869-1954)
Jazz (1947) é um livro com cerca de cem gravuras feitas com base em recortes de papel. Os temas são o teatro e o circo. A linha de orientação, a improvisão, daí Jazz.O artista escreveu em 1947 a um amigo " Existem coisas maravilhosas no verdadeiro jazz, o talento de improvisar, a vivência, do músico e do público tornarem-se apenas num".

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Música Pintada
"Música pintada" foi uma recolha feita no ano passado numa homenagem à pintura e à música.
A vossa ajuda será bem vinda.
A vossa ajuda será bem vinda.
sábado, outubro 11, 2008
vai assim de fundo negro dos meus olhos
escrito cor de vinho embebedado
vai assim como um tango colado
um swing molhado
vai assim em forma de beijo-mel
uma boca para tocar
um lábio por morder
um dedo para te desenhar no meu corpo
vai assim, aqui todo o meu afecto
que rebenta no meu peito
e canta e chora
a dançar, sempre a dançar
numa nuvem, numa estrela
procurando o meu par
E a lua pasmada a olhar
numa fase de amor crescente
sempre numa fase cheia
de saudades
que não vêem fases minguantes
m.
escrito cor de vinho embebedado
vai assim como um tango colado
um swing molhado
vai assim em forma de beijo-mel
uma boca para tocar
um lábio por morder
um dedo para te desenhar no meu corpo
vai assim, aqui todo o meu afecto
que rebenta no meu peito
e canta e chora
a dançar, sempre a dançar
numa nuvem, numa estrela
procurando o meu par
E a lua pasmada a olhar
numa fase de amor crescente
sempre numa fase cheia
de saudades
que não vêem fases minguantes
m.
sexta-feira, outubro 10, 2008
"Para entender nós temos dois caminhos"

"Para entender nós temos dois caminhos:
o da sensibilidade que é o entendimentodo corpo;e o da inteligência que é o entendimentodo espírito.Eu escrevo com o corpo.Poesia não é para compreender,
mas para incorporar.Entender é parede; procure ser árvore."
Manuel de Barros
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quinta-feira, outubro 09, 2008
terça-feira, setembro 02, 2008
"Fotografam tudo o que lhes agrada, mesmo o que nada diz ao olhar desprevenido dos outros: o entrelaçar das silvas e dos tojos na vertente semiobscura onde os ramos dos zambujeiros se inclimam até ao solo; a nudez das oliveiras velhas contra a lua; o reflexo projectado no chão por aqueles arbustros de um branco esverdeado, de que eles não sabem o nome; o manto vermelho, o fulgor dos peixes, em rápidos voos, no tanque onde Lionel diz ter plantado sonhos na infância."
in Urbano Tavares Rodrigues
A Bela e o Monstro, publicado em Carnaval Negro, Edições ASA
in Urbano Tavares Rodrigues
A Bela e o Monstro, publicado em Carnaval Negro, Edições ASA
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domingo, agosto 10, 2008
Origem dos sonhos esquecidos
Entre a bicicleta e a laranja
vai a distância de uma camisa branca
Entre o pássaro e a bandeira
vai a distância dum relógio solar
Entre a janela e o canto do lobo
vai a distância dum lago desesperado
Entre mim e a bola de bilhar
vai a distância dum sexo fulgurante
Qualquer pedaço de floresta ou tempestade
pode ser a distância
entre os teus braços fechados em si mesmos
e a noite encontrada para além do grito das panteras
qualquer grito de pantera
pode ser a distância
entre os teus passos
e o caminho em que eles se desfazem lentamente
Qualquer caminho
pode ser a distância
entre tu e eu
Qualquer distância
entre tu e eu
é a única e magnífica existência
do nosso amor que se devora sorrindo
Mário Henrique Leiria
in A Única Real Tradição Viva
Perfecto E. Cuadrado
Antologia da Poesia Surrealista Portuguesa
Assírio & Alvim
1998
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quinta-feira, agosto 07, 2008
"AS COORDENADAS LÍRICAS"

Lagoa de Óbidos, Agosto 2008
"Desviou-se o paralelo um quase nada
e tudo escureceu:
era luz disfarçada em madrugada
a luz que me envolveu
A geométrica forma de meus passos
procura um mar redondo.
Levo comigo, dentro dos meus braços,
oculto, todo o mundo.
Sozinha já não vou. Apenas fujo às negras emboscadas.
Em cada esfera desenho o meu refúgio
— as minhas coordenadas."
FERNANDA BOTELHO
de Coordenadas Líricas
de Coordenadas Líricas
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quinta-feira, julho 24, 2008
"As coisas assim a gente não perde nem abarca"
"As coisas assim a gente não perde nem abarca.
Cabem é no brilho da noite.
Aragem do sagrado.
Absolutas estrelas".
João Guimarães Rosa
Cabem é no brilho da noite.
Aragem do sagrado.
Absolutas estrelas".
João Guimarães Rosa
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quinta-feira, julho 17, 2008
AMOR EM VISITA

Escultura de Armando Correia
(...)
Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.
(...)
Herbérto Helder
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Encomenda
"Desejo uma fotografia
como esta — o senhor vê? —
como esta: em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga,
que me empresta um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não...
Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia."
Cecília Meireles
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terça-feira, junho 24, 2008
"Câmara Escura"

"Devagar,
Hora a hora,
Dia a dia,
Como se o tempo fosse um banho de acidez,
Vou vendo com mais funda nitidez
O negativo da fotografia.
E o que eu sou por detrás do que pareço!
Que seguida traição desde o começo,
Em cada gesto,
Em cada grito,
Em cada verso!
Sincero sempre, mas obstinado
Numa sinceridade
Que vende ao mesmo preço
O direito e o avesso
Da verdade."
Miguel Torga
Hora a hora,
Dia a dia,
Como se o tempo fosse um banho de acidez,
Vou vendo com mais funda nitidez
O negativo da fotografia.
E o que eu sou por detrás do que pareço!
Que seguida traição desde o começo,
Em cada gesto,
Em cada grito,
Em cada verso!
Sincero sempre, mas obstinado
Numa sinceridade
Que vende ao mesmo preço
O direito e o avesso
Da verdade."
Miguel Torga
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segunda-feira, junho 16, 2008

(...) É desse lugar iluminado que, hoje, vos falo. Fui ter com um fotógrafo meu amigo e pedi-lhe para me retratar. Ele acendeu um foco de luz. Sentei-me no centro dele. A máquina disparou sem cessar. Gesticulei, abri os braços, mexi-me muito - como se soubesse que nunca mais o voltaria a fazer. Quando o meu amigo mergulhou o papel fotográfico no revelador, eu também mergulhei. Mas devo ter desmaiado uns segundos, talvez minutos, porque ao retomar consciência senti as pernas e os braços dormentes - e todo o meu corpo estava mole. Um véu de luz toldou-me a visão. Ceguei por instantes, mas não foi uma sensação desagradável. Depois, o corpo começou a ondear, a impregnar-se no papel e a coincidir com o retrato que o meu amigo fizera de mim. Segundos mais tarde uma pinça metálica tirava-me do revelador. Senti, então, a frescura da água - e toda a superfície da folha de papel, o meu novo corpo, brilhou. Em seguida deixei-me entorpecer na temperatura tépida, voluptuosa, do fixador. Tinha encontrado o esconderijo. (...)
AL BERTO
AL BERTO
de O esconderijo do homem triste
Jacarandás

«No meio desta ansiedade, uma notícia ajuda a dormir em paz. Uma só certeza: a de que os jacarandás voltaram! Esta semana, apesar da seca e mau grado o clima errático, que provocaram um estado vegetativo desequilibrado, os jacarandás floriram. Nas Trinas e nas Praças, na D. Carlos I e no Salitre, na Burra e em Belém, apareceram, tímidos e frágeis. Já não era sem tempo. Lisboa precisa de cor. Isto precisa de esperança.»
António Barreto (Publico, 15-05-05)
"Tempo
de seus passos vindo
pelo tapete de roxas flores
dos jacarandás enfileirados na rua.
Hoje
é eterno o ontem
da silhueta de Maria
caminhando no asfalto da memória
em nebuloso pé ante pé do tempo.
... Todo o tempo
colar de missangas ao pescoço
sempre o tempo todo
suruma minha suruma da saudade.
Suruma daquela saudade
das flores dos jacarandás
nos passos de Maria."
José Craveirinha
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segunda-feira, março 31, 2008
Os teclados

"(...)Tudo ficava suspenso, no vazio. E depois o som acontecia: a chuva, o vento, o mar. O vento nas folhas, no caminho de terra, nos telhados, na chuva. Agora (...) ouvia a chuva, as formas fugidias da água. (...) Gostava de vaguear (...), ouvindo o que havia para ouvir – buzinas de carros, vozes, motores, barulho de oficinas, pancadas mecânicas, chapas de metal zunindo, portas batendo, passos de pessoas na calçada. Por vezes música articulada, no meio dos sons: o canto alto de um pregão atirado ao ar, um trilo de pássaro, o assobio do amolador de tesouras, o acordeão de um cego numa esquina.Mas tudo o resto – buzinas, vozes, sirenes, máquinas, - podia ser também uma forma de música. E mesmo o silêncio fazia parte de ouvir – o silêncio entre uma coisa e outra, a respiração ou a pausa, antes que outra coisa acontecesse.Ouvir era deixar o mundo entrar em si. (...)"
TEOLINDA GERSÃO
Os teclados
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terça-feira, fevereiro 19, 2008
"Jardim Perdido"
Jardim Perdido
Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.
A verdura das arvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.
A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.
Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.
A verdura das arvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.
A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.
Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.
Sophia de Mello Breyner Andresen
"Limpo Palavras"
Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.
Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,outras simplesmente gastas,
estafadas,dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.
A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.
No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadoras
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.
A palavra obrigado agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.
Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes a mão para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.
Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.
ÁLVARO MAGALHÃES
O Limpa-Palavras e Outros Poemas
Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.
Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,outras simplesmente gastas,
estafadas,dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.
A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.
No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadoras
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.
A palavra obrigado agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.
Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes a mão para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.
Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.
ÁLVARO MAGALHÃES
O Limpa-Palavras e Outros Poemas
domingo, fevereiro 10, 2008
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