terça-feira, fevereiro 28, 2006


Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal, deixa a festa acabar, deixa o barco correr
Deixa o dia raiar que hoje eu sou da maneira que você me quer
O que você pedir eu lhe dou, seja você quem for
Seja o que Deus quiser

Chico Buarque

Columbina




Uma alegria balôfa paira lá fora.
Columbinas que buscam Arlequins.
Palhaços que não fazem rir.
Serpentinas descoloridas,Papelinhos sem cores.
Um Pierrôt de cara esborratada.
Uma fada que perdeu a magia.
Assim vai este Carnaval:
"Uns vão bem e...outros mal!"

quinta-feira, fevereiro 23, 2006




(desenhos de José Carlos Faria, para a peça Os Rústicos de Goldoni, Teatro da Rainha)

(fotografias de Ginger)




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Fumo








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Música do filme 2046



Pego na palavra pele
e desfaz-se na minha mão.
Solto a palavra beijo e voa soprada pelo vento
Agarro a palavra amor e esfuma-se no fio do horizonte
Abraço a palavra ternura e ela escorrega-me pelos braços
Sublinho a palavra ausência e fica um vazio no estômago
Construo a palavra laços
E desatam-se no ar
Escrevo a palavra tu
E ela não rima comigo
Desenho a palavra nós
E desatam-se na tela branca
Componho a palavra beleza
E sai-me música
Pinto a palavra melodia
E surge-me o teu olhar
Acarinho a palavra poesia
E saem-me letras desrimadas
Se tudo foi leve pedaço bom de vida,
Silvo de nortada fresca
Sumo doce de fruta
Sal de corpo na minha língua
Então valeu
Ficou esta impressão digital esfumada,
e os dias que me sobram para recordar
No vagar dos meus dias que me vão sobrando

sábado, fevereiro 18, 2006

Seda


Sombrinha chinesa?



















(fotografia de António Delicado)



A tua pele como lençol e eu colchão do teu corpo. às vezes o teu peito almofada, às vezes cobertor que aquece, que me aquece antes de adormecer.

Pelas tardes....


Pelas tardes comíamos maçãs vermelhas riscadas de raios de sol.
As gargalhadas faziam cócegas ao amor e incendiavam desejos.
Pelas tardes no jardim da casa lanchava-te por inteiro por entre biscoitos e compotas.
(fotografia de Albeit)

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

quarta-feira, fevereiro 01, 2006







Cristalizo os minutos dos teus beijos.
Perpétuo o calor da tua boca.
Relembro a dança enlaçada das nossas línguas.
Permanece o cheiro a rosas no meu corpo.
Orvalha-me com a paixão dos momentos, por entre o desfazer das flores, por entre o refazer dos dias.
E fico assim a saborear memórias e a encher-me de amor por ti.

Balões do Oriente com paisagem de Graffiti ao fundo

Ao invés de te procurar no tempo, o surgir do instante do nada.
Ao invés de te esperar, o súbito do inesperado.
Ao invés de te querer, o prazer de num todo me dar.
Ao invés de beber um chá, partilharmos o ritual de o preparar.
Ao invés da pressa apressada de viver, o doce deambular pelo Bairro Gótico.

Porque neste verso e reverso de vida, gosto de colorir os teus beijos.
Porque gosto desta luz que envolve o teu corpo e de não saber se estou na China, ao no Japão, ou noutro lugar qualquer.
Porque gosto de como despes o meu quimono e de como inventas histórias com os dragões e as aves que o povoam.
Gosto ainda de escorregar pela tua pele e ficar ao ouvir sons vindos da rua numa fusão de sentidos. Água de chuva, música da janela vizinha, passos, ou uma voz que canta.

Ao invés de me pentear, deixo que fiquem as tuas mãos no meu cabelo.
E um grafitti na parede parecia-nos uma flor de lótus trazida do Oriente.